🧠 Regras de Inferência e Argumentos
Completando o estudo da Lógica Proposicional
⚖️ Regras de Inferência (Continuação)
Adição [AD]
P ⇒ P ∨ Q
De uma proposição, podemos deduzir sua disjunção com qualquer outra.
Simplificação [SIMP]
P ∧ Q ⇒ P ou P ∧ Q ⇒ Q
De uma conjunção, podemos deduzir qualquer um de seus termos.
Conjunção [CONJ]
P e Q ⇒ P ∧ Q
A partir de duas proposições, podemos deduzir sua conjunção.
Absorção [ABS]
P → Q ⇒ P → (P ∧ Q)
De uma condicional, podemos obter outra com antecedente igual e consequente sendo a conjunção do antecedente com o consequente original.
Modus Ponens [MP]
(P → Q) e P ⇒ Q
Se temos uma condicional e seu antecedente é verdadeiro, então o consequente também é.
Modus Tollens [MT]: (P → Q) e ~Q ⇒ ~P
P → Q
~Q
~P
Esta regra permite, a partir das proposições P → Q (condicional) e ~Q (negação do consequente), deduzir a negação do antecedente ~P.
Exemplo: "Se ganhar na Loteria, fico rico; não fiquei rico; logo não ganhei na Loteria"
| P | Q | ~P | ~Q | P → Q | (P → Q) ∧ ~Q | [(P → Q) ∧ ~Q] → ~P |
|---|---|---|---|---|---|---|
| V | V | F | F | V | F | V |
| V | F | F | V | F | F | V |
| F | V | V | F | V | F | V |
| F | F | V | V | V | V | V |
Exercício: Utilize a regra Modus Tollens para obter a negação do consequente:
a) (1) p ∧ q → ~r P
(2) r P
b) (1) ~p → q P
(2) ~q P
Silogismo Disjuntivo [SD]: (P ∨ Q) e ~P ⇒ Q ou (P ∨ Q) e ~Q ⇒ P
(i) P ∨ Q
~P
Q
(ii) P ∨ Q
~Q
P
Esta regra permite deduzir da disjunção (P ∨ Q) de duas proposições e da negação de uma delas (~P ou ~Q) a outra proposição (Q ou P).
Exemplo: "Trabalho ou estudo; não trabalho; logo, estudo."
Exercício: Utilize a regra do Silogismo Disjuntivo para deduzir a conclusão:
a) (1) (p ∧ q) ∨ r P
(2) ~(p ∧ q) P
b) (1) x∈A ∨ x∈B P
(2) x∉A P
Silogismo Hipotético [SH]: (P → Q) e (Q → R) ⇒ P → R
Esta regra permite deduzir uma condicional transitiva a partir de duas condicionais relacionadas.
| P | Q | R | P → Q | Q → R | P → R | (P → Q) ∧ (Q → R) | [(P → Q) ∧ (Q → R)] → (P → R) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| V | V | V | V | V | V | V | V |
| V | V | F | V | F | F | F | V |
| V | F | V | F | V | V | F | V |
| V | F | F | F | V | F | F | V |
| F | V | V | V | V | V | V | V |
| F | V | F | V | F | V | F | V |
| F | F | V | V | V | V | V | V |
| F | F | F | V | V | V | V | V |
Exercício: Utilize a regra do Silogismo Hipotético para obter uma condicional:
a) (1) (p ∧ r) → s P
(2) s → t P
b) (1) ~p → p ∨ r P
(2) p ∨ r → q P
Dilema Construtivo [DC]: (P → Q) ∧ (R → S) ∧ (P ∨ R) ⇒ Q ∨ S
Se temos duas condicionais e pelo menos um dos antecedentes é verdadeiro, então pelo menos um dos consequentes também é verdadeiro.
Exercício: Utilize a regra do Dilema Construtivo para obter uma disjunção:
a) (1) ~p → q ∨ r H
(2) ~q → s ∧ t H
(3) ~p ∨ ~q H
Dilema Destrutivo [DD]: (P → Q) ∧ (R → S) ∧ (~Q ∨ ~S) ⇒ ~P ∨ ~R
Se temos duas condicionais e pelo menos um dos consequentes é falso, então pelo menos um dos antecedentes também é falso.
Exercício: Utilize a regra do Dilema Destrutivo para determinar uma conclusão:
a) (1) ~p → (q ∨ r) P
(2) (q ∨ t) → s P
(3) ~s ∨ ~(q ∨ r) P
🔍 Exercícios: Identificação de Regras
Identifique qual a regra de inferência utilizada
a) p → (q ∧ r)
p
____________
q ∧ r
Resposta: Modus Ponens (MP)
b) ~p → (s ∧ q)
~(s ∧ q)
____________
p
Resposta: Modus Tollens (MT)
c) y = 2 → z < y
y = 4 → x > y
y ≠ 2 ∨ y ≠ 4
_________________________
x ≤ y ∨ z ≥ y
Resposta: Dilema Construtivo (DC)
d) "Se o show estiver lotado, então é porque fez sol. Mas, sabe-se que não fez sol. Portanto o show não estava lotado."
Resposta: Modus Tollens (MT)
🏛️ Teoria dos Argumentos
Definição de Argumento
Denomina-se argumento a relação que associa a sequência de proposições P₁, P₂, ... Pₙ, chamadas premissas, a uma proposição final Q que é a conclusão.
{P₁, P₂, ..., Pₙ} ⊢ C
Um argumento formado por exatamente três proposições, sendo duas como premissas e a terceira como conclusão, é denominado silogismo.
A conclusão de um argumento pode ser identificada por indicadores de inferência:
Formas de Representar Argumentos
Forma Padrão:
Se José pegou as joias ou a Sra. Mello mentiu, então ocorreu um crime.
Se ocorreu um crime então o Sr. Vargas estava na cidade.
Ora o Sr. Vargas não estava na cidade.
José não pegou as joias.
Forma Simbólica:
Simbolizando: p: José pegou as joias, q: Sra. Mello mentiu, r: ocorreu um crime, s: Sr. Vargas estava na cidade
p ∨ q → r, r → s, ~s ⊢ ~p
Validade de Argumentos
Dizemos que um argumento é válido (legítimo ou bem construído) quando a sua conclusão é uma consequência obrigatória do seu conjunto de premissas.
Significa dizer que a veracidade da conclusão está incluída na veracidade das premissas; isto é, se as premissas forem verdadeiras, a conclusão também o será.
Num argumento válido, jamais poderemos ter uma conclusão falsa quando as premissas forem verdadeiras.
Quando a conclusão não decorre das premissas, dizemos que o argumento é inválido (ilegítimo, mal construído ou falacioso).
Critério Formal: Um argumento P₁, P₂, ..., Pₙ ⊢ Q é válido se e somente se a condicional (P₁ ∧ P₂ ∧ ... ∧ Pₙ) → Q é uma tautologia.
Importante!
É importante observar que o estudo dos argumentos ocupa-se tan somente da validade destes e não leva em conta se as proposições que o compõem são realmente verdadeiras ou não.
Ao se discutir a validade de um argumento é irrelevante saber se as premissas são realmente verdadeiras ou não. Tudo que precisamos fazer é assumir que as premissas sejam todas verdadeiras e verificar se isto obriga ou não a conclusão a ser também verdadeira.
Exemplo de argumento inválido: "Tiradentes foi o líder da Inconfidência Mineira. Santos Dumont projetou, construiu e voou os primeiros balões dirigíveis com motor a gasolina. Portanto, todo dia tem 24 horas."
Embora todas as proposições sejam verdadeiras, a conclusão não segue das premissas, portanto o argumento é inválido.
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