📚 As teorias que sustentam a obra
Todas as atividades propostas têm como base as teorias socioconstrutivistas e acompanham as ideias dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Por isso, trabalhamos com a escrita como instrumento de comunicação, ação e reflexão!
A escrita é um sistema notacional que tem uma história social de mais de 5 mil anos de uso. Sua utilização nas mais diferentes situações transforma os textos escritos em bens culturais que registram e arquivam o conhecimento. Ter acesso à escrita significa recuperar e se apropriar da memória da sociedade.
Já imaginou como seria nossa sociedade sem a escrita? Não haveria jornais, televisão, bibliotecas, livros. Enfim, não haveria comunicação de informações a distância. A escrita permite que os homens acumulem, conservem e transmitam o conhecimento de uma geração a outra. Aprender a ler e a escrever possibilita a aquisição da cultura e do conhecimento que estão guardados nos textos.
Como a leitura é um caminho para o despertar da consciência, aprender a ler e a escrever é fundamental no processo de formação do cidadão. Através dos conhecimentos adquiridos nos textos, podemos conquistar os direitos da cidadania.
O papel do professor
Pensando nisso, é fácil entender o importante papel do professor que ensina a ler e a escrever: ao aprender o sistema de escrita, a criança está adquirindo um instrumento (a escrita) que lhe permitirá o acesso a bens sociais. Ensinar a escrever propicia o desenvolvimento e a inserção do indivíduo na sociedade, como cidadão, comunicando-se com os outros, pensando e agindo sobre a realidade.
A linguagem escrita na vida cotidiana
Como instrumento de comunicação, a linguagem escrita é utilizada nas mais variadas circunstâncias da vida: em mensagens simples (um bilhete, uma carta, a transmissão de ordens, manuais com instrução para o uso de eletrodomésticos, receitas culinárias, etc.) ou mais complexas (textos oficiais, como documentos, certidões, etc.), em textos informativos (como o texto dos jornais, das revistas, das propagandas, etc.) e na literatura.
Variedades linguísticas
Numa sociedade como a nossa, em que a escrita tem diversas funções sociais (publicitária, política, comercial, comunicativa, literária), há diferentes variedades linguísticas: não se usa o mesmo tipo de linguagem nos diferentes tipos de textos porque, como instrumento de comunicação, a forma deve estar adequada ao uso.
As variedades linguísticas (ou níveis de linguagem) são determinadas:
- pelo tempo: há expressões que marcam formas arcaicas, antigas, como "vosmecê", usada no interior de São Paulo;
- pelas características regionais: no Sul, por exemplo, usam-se expressões diferentes das do Norte e do Nordeste;
- pelas classes sociais ou pelos grupos: cada grupo social desenvolve diferenças linguísticas, como forma de se afirmar e manter a coesão. Há a divisão básica entre a língua culta (usada pelos grupos escolarizados, nas situações formais) e a língua popular (usada nas situações informais). A língua popular, cotidiana, admite uma série de linguagens, como, por exemplo, as gírias dos diferentes grupos (os punks, os surfistas, etc.). Além disso, há ainda as linguagens especializadas, que dizem respeito a certas áreas, como a informática (observe quantos termos em inglês a nossa língua recebe nessa área), a economia, o direito, a medicina, etc.
Como colocamos a teoria em prática
O terceiro volume da coleção "Os caminhos da língua portuguesa" tem como objetivo auxiliar o aluno a continuar desenvolvendo o processo de aquisição da escrita iniciado sistematicamente nas duas séries anteriores.
Nesta fase do desenvolvimento da escrita, nas nossas classes atuais, o aluno está na faixa etária de 8 a 9 anos e já tem experiências com a escrita fora da escola. Ele está em contato direto com a comunicação de massa, através da mídia impressa e falada, como jornais, revistas, rádio e televisão, de onde capta uma grande quantidade de informações. Em sua casa, o aluno vive rodeado de textos escritos: cadernos de receitas, bulas de remédios, rótulos de produtos, manuais de eletrodomésticos, bilhetes que os adultos escrevem, cartas que chegam ou que são remetidas pelos familiares, etc.
As crianças que vêm de famílias escolarizadas têm, além dessa "escrita doméstica", o contato com textos de literatura. Por isso, elas já perceberam a funcionalidade e a importância que o material escrito adquiriu na nossa sociedade.
Desenvolvimento da escrita
Nas duas primeiras séries, certamente ocorreu uma aprendizagem sistemática das regras da escrita. Os alunos já adquiriram a base alfabética e já se defrontaram com as dificuldades e irregularidades do sistema ortográfico. Tendo alguma experiência de leitura e produção do texto escrito, certamente sabem produzir textos simples e distinguem a oralidade da escrita. Mesmo que seja um conhecimento intuitivo, já perceberam as regras da textualidade escrita e sabem que essas regras são muito diferentes na fala, quando os interlocutores estão presentes no ato de comunicação. Fala e escrita, para o aluno da 3ª série, já constituem duas formas diferentes de uso da língua, cada uma com suas particularidades e especificidades.
Esse conhecimento intuitivo das regras da escrita e da textualização poderá ser transformado em conhecimento sistematizado, na 3ª série, através de atividades que coloquem o aluno diante de situações que levem à reflexão metalinguística. Esse será o objetivo central das atividades propostas neste terceiro volume.
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