Construindo a Escrita | Coesão, Ortografia e Textualização

Construindo a Escrita

A construção e a assimilação das convenções da escrita são feitas em etapas. Trabalhamos os usos da língua em diferentes situações, com ênfase no estudo do vocabulário, manuseio de dicionários, ortografia e textualização.

Atividades de Linguagem

Nas Atividades de linguagem são trabalhados os usos da língua em diferentes situações, com ênfase para o estudo do vocabulário e do manuseio de dicionários. Trabalhamos a estrutura e o significado das palavras e com suas relações de significado no vocabulário: sinonímia, antonímia, ambiguidade e polissemia.

Exemplo prático: identificar sinônimos de "alegre" (feliz, contente), antônimos (triste), perceber ambiguidade em "banco" (instituição financeira / assento).

Atividades de Ortografia

Nas Atividades de ortografia, o aluno vai construindo o conhecimento sobre as regras ortográficas da língua, percebendo as convenções em seus diversos graus de complexidade. Através do seu envolvimento sistemático com as questões ortográficas, o aluno percebe a importância das regras da nossa escrita, que envolvem o conhecimento de como se deve escrever.

Esse conhecimento é muito importante, pois é a convenção das regras de como escrever (a "ortografia") que permite que todos leiam e escrevam da mesma maneira e, assim, possam se comunicar a distância (tanto espacial quanto temporalmente). Por isso é necessário aprender a escrever "ortograficamente": para poder ler os textos do passado e produzir textos que estabeleçam a comunicação no presente e possam ser lidos no futuro.

Conscientes da importância da aprendizagem ortográfica, nossas atividades não visam transformá-la em um fim em si mesma. Aprender a escrever é aprender a produzir textos, e a ortografia só tem razão de ser quando está a serviço da produção de sentidos.

Atividades de Textualização

Nas Atividades de textualização são trabalhadas as regras de estruturação de textos: a coesão, a coerência, a paragrafação e as características do texto em prosa e poético.

O texto escrito possui regras responsáveis pela sua estruturação. O próprio nome texto vem da ideia de "tecido": o texto é formado por elementos interligados, como uma teia. Cada palavra precisa estar conectada a outra, formando um sentido que vai se construindo à medida que o texto se desenvolve. Assim, do início até o final do texto, forma-se um sentido global. Chamamos de coesão a essa "tramação" do tecido do texto e de coerência ao sentido criado pelo todo textual.

Mecanismos de coesão: dois tipos fundamentais

Coesão referencial
Mecanismos que dão continuidade ao texto (repetição, substituição por pronomes, sinônimos, hiperônimos).
Coesão sequencial
Mecanismos que dão sequencialidade ao texto, principalmente conectores (e, porque, como, portanto, etc.).
Continuidade + Sequencialidade
O tema precisa permanecer e avançar: manter o tema (continuidade) e fazê-lo progredir (sequencialidade).

Exemplo evolutivo da construção da coesão (redação de aluno)

1ª fase – repetição excessiva:
"Minhas férias foram boas.
Minhas férias foram na praia.
Eu gostei muito das minhas férias."
2ª fase – substituição por pronomes:
"Minhas férias foram boas. Elas foram na praia.
Eu gostei muito delas."
3ª fase – uso de sinônimos e conectores:
"Minhas férias foram boas porque fomos à praia.
Como adoro o mar e o sol, gostei muito do tempo que passei lá."

Ao aprender mecanismos elaborados de continuidade, o aluno evita repetições exageradas. A principal forma de coesão sequencial é feita com conectores, que interligam as frases e fazem o texto avançar.

Comparação: texto sem mecanismos x texto coeso

Texto sem coesão elaboradaTexto com mecanismos de coesão
Minhas férias foram boas.
Minhas férias foram na praia.
Eu gostei muito das minhas férias.
Minhas férias foram boas porque fomos à praia.
Como adoro o mar e o sol, gostei muito do tempo que passei lá.

Perceba como a utilização dos mecanismos de coesão é importante para o aprendizado da textualização. O texto coeso flui melhor, evita repetições e estabelece relações lógicas entre as ideias.

Funcionamento situacional do texto

O texto não é uma estrutura que funciona sempre em uma situação de uso neutra. Estamos, a todo momento, produzindo textos que vão ser lidos por alguém, dentro de determinada situação. Por isso, além de aprender a construir a coesão e a coerência textuais, o aluno precisa também aprender as regras do funcionamento situacional do texto.

Carta pessoal
Interlocutores se conhecem, têm intimidade. Linguagem informal, marcas de afetividade.
Carta comercial / autoridade
Linguagem formal, estrutura padronizada, tratamento respeitoso.
Texto literário vs. não literário
Perceber diferenças estilísticas, marcas do poético, distinção entre poesia e prosa, elementos da narrativa (personagens, ação, espaço, tempo, tipos de discurso).

É importante saber distinguir o uso literário do uso não literário da linguagem, percebendo diferenças estilísticas e as marcas do poético. Dentro da prosa, enfatizar elementos da narrativa, formas de construção do narrador e diferentes tipos de discurso (diálogo das personagens, discurso indireto, etc.).

Multiplicidade de linguagens

Tendo em conta que, além da fala e da escrita, existem várias linguagens que circulam na sociedade (a visual, a musical, a gestual, etc.), nosso conceito de "texto" é ampliado: entendemos que uma música, uma pintura, uma escultura, etc., são portadoras de sentido e, por isso, podem ser "lidas" e interpretadas. Trabalhamos, assim, com a multiplicidade de linguagens e, portanto, além dos textos verbais, operamos também com textos que apresentam sonoridade (como a música) e visualidade (como a pintura, histórias em quadrinhos, a propaganda, etc.).

Exemplo: análise de uma canção popular como texto lítero-musical; leitura de imagem em pinturas ou charges; interpretação de esculturas como produtoras de sentido.

Objetivo: construir competência textual

Neste livro, as Atividades de textualização têm o objetivo de ajudar o aluno a construir sua competência textual, trabalhando as regras de estruturação e o funcionamento situacional de diferentes tipos de textos. As principais regras de textualização são apresentadas por meio de atividades em que o aluno observa as características de diferentes estruturas textuais e tem a possibilidade de operá-las e manejá-las.

Regra / ElementoDescrição
Coesão referencialContinuidade do tema através de repetição, substituição (pronomes, sinônimos, hiperônimos).
Coesão sequencialProgressão do texto com conectores (e, porque, como, portanto, embora, etc.).
CoerênciaSentido global do texto, ausência de contradições, lógica interna.
ParagrafaçãoOrganização visual e estrutural em parágrafos que desenvolvem ideias centrais.
Funcionamento situacionalCaracterísticas determinadas pelo diálogo entre quem escreve e quem lê (gêneros textuais, registro formal/informal).
Literário vs. não literárioDistinção entre poesia e prosa, elementos narrativos, tipos de discurso, marcas de poeticidade.

Síntese do processo de construção da escrita

1. Linguagem
Vocabulário, dicionário, sinonímia/antonímia, polissemia.
2. Ortografia
Convenções, regras de escrita padronizada, comunicação a distância no tempo/espaço.
3. Textualização
Coesão (referencial + sequencial), coerência, paragrafação, funcionamento situacional dos gêneros, multiplicidade de linguagens.
Resultado esperado: Um aluno capaz de produzir textos coesos, coerentes, adequados à situação comunicativa, com domínio ortográfico e consciência da diversidade de linguagens — formando um escritor crítico e autônomo.
Material didático baseado na construção progressiva da escrita: linguagem → ortografia → textualização. Estrutura validada para ensino fundamental e médio.

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