O Período Borgista - História do Rio Grande do Sul

O Período Borgista 🏛️

Borges de Medeiros

Em 1898, Castilhos passou o governo a Borges de Medeiros. Com a morte de Castilhos em 1903, toda a máquina administrativa política fica montada e reproduzindo a hegemonia do PRR no estado, num regime republicano, autoritário e centralizado.

📊 A Economia Gaúcha: O Rio Grande do Sul, "Celeiro do país"

O Rio Grande do Sul continua na sua posição de fornecedor do mercado interno do país com uma economia subsidiária com base na agropecuária, que por se tratar de economia primária sofre crises constantes.

  • O charque e couro continuam os principais produtos na pauta comercial do estado, mas o nível técnico da produção continuava o mesmo do século XIX.
  • O charque de comida de escravos passou a ser comida das classes populares e proletários, mas era um produto de baixos lucros tanto para o pecuarista como o charqueador.
  • Deve-se levar em conta a competição do charque Uruguaio mais barato e com melhores condições técnicas de fabricação.

Com o descompasso da tecnologia gaúcha os charqueadores fundaram em 1912, a União dos criadores, para conseguir recursos para a formação de um frigorífico. A eclosão da primeira guerra veio a proporcionar um período de euforia para a economia gaúcha devido a abertura de novos mercados para os produtos primários (alimentos) na Europa.

Com o apoio de Borges de Medeiros surge o Frigorífico Rio-grandense e outros de capital e investimentos estrangeiros como Armour e Wilson, ambas americanas com instalações em Santana do Livramento. Também o arroz desponta como um novo produto de grande aceitação no mercado, alastrando-se pelo estado.

Paralelo temos o crescimento da economia nas zonas coloniais, com incipientes industriais nascendo nas regiões do vale dos sinos, Porto Alegre, empresas como Renner, Wallig, Berta que atingiram o mercado nacional. Indústria de alimentos como Banha, conservas, doces, vinhos, cervejas e têxteis, regiões como Pelotas, Caxias, etc.

⚒️ O Movimento Operário

Durante o período da primeira guerra o movimento dos operários em todo o país resultou em uma série de greves, sendo tratadas como "caso de Polícia", com uma repressão brutal sobre os operários em reivindicação.

  • O movimento operário estava sob a organização de grupos Anarco Sindicalistas que controlavam a Federação Operária do Rio Grande do Sul, fundada a partir de 1906.
  • A conjuntura de greves gerais de 1917 e 1919, demonstram a força e a organização do anarco-sindicalismo, sendo as principais reivindicações a questão salarial, condições de trabalho, horário de trabalho e a repressão nos lugares de trabalho.
  • Na greve geral de 1917, Borges de Medeiros cumpriu um papel de mediador, conciliador, impedindo a radicalização e cedendo algumas reivindicações dos operários. Usando a sua força de liderança faz os empresários aceitar as propostas.
  • Mas nas greves de 1918 e 1919 a repressão do aparelho de governo foi violência, com invasões, prisões e confrontos entre tropas da Brigada Militar e grevistas, levando a desarticulação do movimento.

Após 1922 o Partido Comunista toma a frente nos movimentos sindicais e o anarco-sindicalismo sai de cena.

🗳️ Política Nacional

A nível de política nacional, o PRR se aproveita da política dos governadores, e como é periférico a nível de poder central, passa a usar a barganha como arma para obter vantagens para investimentos no estado.

  • A barganha se dava através da articulação de votos com os estados líderes do pacto nacional, São Paulo e Minas Gerais.
  • Com o senador Pinheiro Machado o Rio Grande do Sul teve o mais brilhante dos parlamentares da república velha fazendo articulações favoráveis para o estado.
  • Como a educação era um dos principais pontos do governo Borges de Medeiros, o número de eleitores no Rio Grande do Sul era bastante grande, o que de certa forma pesava nas eleições para a presidência da república.

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