🇧🇷 Getúlio Vargas e a Revolução de 1930
No início, quase ninguém valorizava Getúlio Vargas. Achavam-no um homem pequeno demais, inexpressivo, incapaz de conquistar o povo e organizar a nação. No final, havia quem o comparasse a Napoleão Bonaparte.
O período getulista foi marcado por grandes conflitos. Iniciou-se com a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder. Depois, vieram Revolução Constitucionalista de 1932, a Intentona Comunista de 1935, o Golpe de 1937 - que criou o Estado Novo -, a explosão da Segunda Guerra Mundial, na qual o Brasil entrou em 1942.
Dirigindo o país por 15 anos, Getúlio Vargas foi um dos políticos mais polêmicos e controvertidos da República. Amado e odiado por muitos.
👎 Visão dos Inimigos
Os inimigos apontam em Vargas a figura do ditador implacável, o homem sedento de poder, o demagogo sem escrúpulos.
👍 Visão dos Getulistas
Os getulistas o defendem, destacando em suas ações o político com sensibilidade social, o realizador de medidas concretas para os trabalhadores urbanos, o governante nacionalista e responsável pela industrialização.
📉 A CRISE MUNDIAL DE 1929 E A REVOLUÇÃO DE 1930
Em 1929, o mundo capitalista foi abalado por grave crise econômica. A principal causa da crise era a superprodução da indústria norte-americana, que cresceu mais do que as necessidades do seu mercado interno e mais que o poder de compra do mercado internacional.
O grande marco dessa crise de superprodução capitalista foi a queda das ações das grandes empresas na Bolsa de Valores de Nova York. As ações perderam quase todo o seu valor. Empresas e bancos foram à falência. As empresas reduziram o ritmo de produção. Milhões de trabalhadores norte-americanos ficaram desempregados.
Sem poder vender, os Estados Unidos também deixaram de comprar. Isso afetou gravemente a economia dos países que dependiam de exportações para os Estados Unidos. Foi o caso do Brasil, que deixou de vender milhões de sacas de café para o mercado norte-americano. O preço do café despencou.
⏳ Linha do Tempo dos Eventos:
A produção de café foi de 21 milhões de sacas, mas as exportações foram só de 14 milhões. Os cafeicultores entraram em pânico. Numa tentativa desesperada de segurar os preços, milhares de sacas de café foram destruídas. Era o desastre econômico, que levou muitos fazendeiros à falência.
Com a queda dos preços, milhões de pés de café foram queimados.
O enfraquecimento econômico da oligarquia cafeeira ajudou a desmontar a estrutura de poder que sustentava a República Velha.
Nas eleições de 1930, a oligarquia paulista apoiava o candidato Júlio Prestes, do PRP - Partido Republicano Paulista. Os políticos mineiros apoiavam o nome de Antônio Carlos Ribeiro de Andrade, que era governador de Minas Gerais.
O rompimento do acordo do "café com leite", isto é, o desentendimento entre o PRP e o PRM, agitou o país. A oposição às oligarquias mais tradicionais aproveitou o momento para conquistar espaço político e formar alianças.
Foi nesse ambiente que nasceu a Aliança Liberal, lançando os nomes do governador gaúcho Getúlio Vargas para presidente da República e do governador paraibano João Pessoa para vice-presidente.
Os candidatos da Aliança Liberal passaram a ter o apoio de gente de todo tipo. Gente renovadora que queria acabar com o velho esquema político da República Velha. E gente oportunista que queria apenas conservar o poder em suas mãos. Era o caso do governador de Minas Gerais, Antônio Carlos, que apoiava, agora, a Aliança Liberal, depois de ter rompido com São Paulo.
De qualquer modo, a Aliança Liberal apresentava um programa de reformas com alguns avanços, cujos pontos principais eram: instituição do voto secreto (para acabar com o coronelismo e as fraudes); criação de leis trabalhistas; incentivo à produção industrial. Era um programa que tinha grande aceitação junto às classes médias e aos militares ligados ao Tenentismo.
Após os resultados eleitorais, Júlio Prestes foi declarado vencedor, mas os líderes da Aliança Liberal alegaram fraude. O clima de revolta aumentou, especialmente após o assassinato de João Pessoa em 25 de julho, que serviu como estopim para a revolução.
Em 3 de outubro, a luta armada estourou no Rio Grande do Sul, espalhando-se por Minas Gerais, Paraíba e Pernambuco. Os militares do Rio de Janeiro, liderados pelos generais Mena Barreto e Tasso Fragoso, depuseram o presidente Washington Luís e entregaram o poder a Getúlio Vargas, que era o chefe político da Revolução de 1930.
Terminava a República Velha. Iniciava-se o período getulista ou a Era Vargas.
Post a Comment