Sonhar-se em Existência
🌌
Sonhar-se em Existência

Ogden, apoiado em Bion, diz que amadurecer emocionalmente é ampliar a capacidade de sentir a própria vida afetiva inteira — do terno ao insuportável — e continuar existindo dentro disso sem se desligar de si.

Ele afirma que uma das perdas humanas mais graves é quando alguém perde a capacidade de estar vivo na própria experiência. Muitas vezes isso nasce de traumas precoces e privações emocionais severas. Para descrever a vitalidade psíquica, Ogden usa a ideia de “sonhar a própria experiência emocional”.

“Sonhar” aqui não é só durante o sono; é conseguir metabolizar o vivido: sentir, pensar, simbolizar e transformar. Se conseguimos sonhar o que nos acontece, podemos ser modificados por isso; caso contrário, a experiência fica crua, tóxica e impossível de suportar mentalmente.

Ogden diferencia dois tipos de experiências:

  • Sonhos interrompidos: experiências emocionais que começam a ser elaboradas, mas quebram num ponto de dor insuportável. A pessoa estava quase conseguindo pensar aquilo e, de repente, implode.
  • Sonhos insonhados: experiências tão brutais que nem chegam a virar sonho/pensamento. Ficam isoladas em bolsões psíquicos rígidos (como certos estados autísticos, psicóticos, somatizações severas ou algumas perversões). É vivido como terror, mas não simbolizado.

O papel do analista é ajudar o paciente a sonhar tanto os sonhos interrompidos quanto os insonhados. A análise cria um campo onde aquilo que não podia ser sonhado sozinho passa a poder ser sonhado junto com um outro que sustenta essa dor.

O objetivo final é que o paciente saia capaz de sonhar sua própria experiência por conta própria. Para Ogden, o fim da análise não é apenas resolver conflitos específicos, mas permitir que a pessoa mantenha o “zumbido de estar viva”: um senso contínuo de existência psíquica.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.