Sonhar-se em ExistĂȘncia
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Sonhar-se em ExistĂȘncia

Ogden, apoiado em Bion, diz que amadurecer emocionalmente Ă© ampliar a capacidade de sentir a prĂłpria vida afetiva inteira — do terno ao insuportĂĄvel — e continuar existindo dentro disso sem se desligar de si.

Ele afirma que uma das perdas humanas mais graves Ă© quando alguĂ©m perde a capacidade de estar vivo na prĂłpria experiĂȘncia. Muitas vezes isso nasce de traumas precoces e privaçÔes emocionais severas. Para descrever a vitalidade psĂ­quica, Ogden usa a ideia de “sonhar a prĂłpria experiĂȘncia emocional”.

“Sonhar” aqui nĂŁo Ă© sĂł durante o sono; Ă© conseguir metabolizar o vivido: sentir, pensar, simbolizar e transformar. Se conseguimos sonhar o que nos acontece, podemos ser modificados por isso; caso contrĂĄrio, a experiĂȘncia fica crua, tĂłxica e impossĂ­vel de suportar mentalmente.

Ogden diferencia dois tipos de experiĂȘncias:

  • Sonhos interrompidos: experiĂȘncias emocionais que começam a ser elaboradas, mas quebram num ponto de dor insuportĂĄvel. A pessoa estava quase conseguindo pensar aquilo e, de repente, implode.
  • Sonhos insonhados: experiĂȘncias tĂŁo brutais que nem chegam a virar sonho/pensamento. Ficam isoladas em bolsĂ”es psĂ­quicos rĂ­gidos (como certos estados autĂ­sticos, psicĂłticos, somatizaçÔes severas ou algumas perversĂ”es). É vivido como terror, mas nĂŁo simbolizado.

O papel do analista Ă© ajudar o paciente a sonhar tanto os sonhos interrompidos quanto os insonhados. A anĂĄlise cria um campo onde aquilo que nĂŁo podia ser sonhado sozinho passa a poder ser sonhado junto com um outro que sustenta essa dor.

O objetivo final Ă© que o paciente saia capaz de sonhar sua prĂłpria experiĂȘncia por conta prĂłpria. Para Ogden, o fim da anĂĄlise nĂŁo Ă© apenas resolver conflitos especĂ­ficos, mas permitir que a pessoa mantenha o “zumbido de estar viva”: um senso contĂ­nuo de existĂȘncia psĂ­quica.

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