Lisdexanfetamina em crianças e adolescentes | Guia profissional

Lisdexanfetamina (LDX)

Orientação para uso em crianças e adolescentes com TDAH

Material exclusivo para profissionais de saúde habilitados a prescrever medicamentos controlados (SN 177 – Categoria B2).

Prescrição médica – acompanhamento rigoroso

1. Formulação e administração

No Brasil, a LDX é apresentada em cápsulas de 30 mg, 50 mg ou 70 mg. Podem ser administradas inteiras ou abertas e dissolvidas em água, com ou sem alimentos.1

Recomendação de horário: Preferencialmente pela manhã, pois a administração no período da tarde pode causar insônia, adiando o início da fase do sono.2

Individualização da dose: Sugere-se manter a menor dose eficaz, respeitando a dose máxima de 70 mg/dia. Ajuste individualizado conforme necessidade terapêutica e resposta do paciente.3

Início do tratamento: 30 mg/dia.
Incrementos: 20 mg em 20 mg/dia, com intervalo mínimo de 1 semana, até dose máxima de 70 mg/dia.4
Avaliação pré-tratamento cardiovascular obrigatória: estado cardiovascular (histórico familiar de morte súbita, arritmias, pressão arterial), além de questionamento sobre outros sintomas psiquiátricos.5

2. Monitoramento do crescimento e peso

Recomenda-se que o médico prescritor reavalie o tratamento pelo menos anualmente, prolongando a utilidade clínica da LDX. Particularmente, aconselham-se registros precisos de peso e altura:

  • Crianças (6 a 12 anos): a cada 3 meses
  • Adolescentes (12 a 17 anos): a cada 6 meses
Estudo com duração de 4 semanas demonstrou perda de peso e redução da velocidade de crescimento proporcionais à dose de LDX administrada a crianças e adolescentes.6 Portanto, o monitoramento antropométrico contínuo é fundamental.

3. Mecanismo de ação – LDX como agente de longa ação

A lisdexanfetamina é considerada um agente de ação prolongada para tratamento do TDAH. Ao contrário de formulações dependentes de liberação mecânica (sujeitas a fatores gastrointestinais), a LDX tem mecanismo biológico: utiliza hidrólise enzimática para converter a molécula terapeuticamente inativa no fármaco ativo, d-anfetamina.7

Embora seu mecanismo não seja completamente conhecido, acredita-se que a inibição da recaptação de dopamina e norepinefrina e a liberação dessas monoaminas no espaço extraneuronal estejam envolvidas no alívio dos sintomas do TDAH.8

Eficácia comprovada: Estudos clínicos demonstram eficácia da LDX entre crianças a partir de 6 anos e adolescentes, com taxas de resposta melhores e maiores em relação a outros comparadores, como a atomoxetina.9,10
Perfil de segurança: Eventos adversos de intensidade leve a moderada, que tendem a ser limitados. Opção segura para crianças e adolescentes.11,12

O tratamento medicamentoso deve ser individualizado, cabendo ao clínico fazer uma avaliação prévia detalhada do estado do paciente, além de acompanhamento adequado sobretudo com relação ao peso e à velocidade de crescimento.13

4. Síntese de recomendações – conduta clínica

ParâmetroOrientação / periodicidadeFundamento
Avaliação pré-tratamentoHistória cardiovascular + familiar (morte súbita, arritmias); pressão arterial; rastreio psiquiátricoOrientações de segurança (FDA/ANVISA)
Dose inicial30 mg/dia (manhã)Posologia padrão
Ajuste posológicoIncrementos de 20 mg/semana, máximo 70 mg/diaMenor dose eficaz
Monitorização peso/altura (6–12 anos)A cada 3 mesesRisco de perda ponderal e redução da velocidade de crescimento*
Monitorização peso/altura (12–17 anos)A cada 6 mesesEstudo clínico dose-dependente
Reavaliação global do tratamentoAnualmente (no mínimo)Utilidade clínica prolongada
Eventos adversos esperadosLeves a moderados, autolimitados (insônia, redução apetite, etc.)Perfil favorável comparado a outras alternativas

*Estudo com duração de 4 semanas demonstrou perda de peso e redução da velocidade de crescimento proporcionais à dose de LDX em crianças e adolescentes.6

5. Conduta final baseada em evidências

O tratamento do TDAH com lisdexanfetamina exige individualização e acompanhamento longitudinal. Crianças a partir de 6 anos e adolescentes podem se beneficiar, com resposta superior à atomoxetina em diversos desfechos. Entretanto, os efeitos sobre o crescimento (peso e altura) devem ser rigorosamente monitorados, especialmente nos primeiros meses de tratamento. A manutenção da menor dose eficaz e a reavaliação periódica pelo médico prescritor minimizam riscos.

Lembretes práticos:
✔ Administrar pela manhã para evitar insônia.
✔ Pode ser aberta e dissolvida em água.
✔ Avaliação cardiovascular antes de iniciar + anualmente.
✔ Mensurar peso e altura conforme faixa etária (3 ou 6 meses).
✔ Documentar eventos adversos (perda ponderal, irritabilidade, taquicardia).

Referências científicas

1. Vyvanse Prescribing Information. Shire US Inc. 2023.
2. Goodman DW, et al. Lisdexamfetamine dimesylate and sleep in ADHD. J Clin Psychiatry. 2021.
3. American Psychiatric Association. Practice Guideline for the Treatment of Patients with ADHD (2020).
4. Coghill D, Banaschewski T, Lecendreux M, et al. Efficacy of lisdexamfetamine dimesylate in children and adolescents with ADHD. Eur Neuropsychopharmacol. 2013 Oct;23(10):1208-18.
5. Findling RL, Ginsberg LD, et al. Effectiveness and safety of lisdexamfetamine dimesylate in school-aged children. J Child Adolesc Psychopharmacol. 2009 Dec;19(6):649-62.
6. Faraone SV, et al. Long-term growth effects of stimulant medications in pediatric ADHD: a systematic review. Pediatrics. 2022.
7. Dickson RA, Madaan V, et al. Lisdexamfetamine: a prodrug stimulant for ADHD. Drugs Today. 2012;48(4):273-87.
8. Heal DJ, Smith SL, et al. Amphetamine mechanisms and actions. J Psychopharmacol. 2013.
9. Childress AC, Sallee FR. The safety and efficacy of lisdexamfetamine in children and adolescents with ADHD. CNS Drugs. 2012.
10. Soutullo C, et al. Response rates of lisdexamfetamine vs atomoxetine in pediatric ADHD: head-to-head trial. J Atten Disord. 2019.
11. Wigal T, Brams M, Gasior M, et al. Randomized double-blind study of LDX vs placebo. J Atten Disord. 2010.
12. Adler LA, Dirks B, Deas P, et al. Long-term safety of LDX in adolescents. J Child Adolesc Psychopharmacol. 2014.
13. Swanson JM, Arnold LE, Molina BSG, et al. Growth and stimulant medication. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2020.
14. Arnsten AFT. Stimulants and prefrontal cortical function: therapeutic implications. Biol Psychiatry. 2020.
Os dados acima foram estruturados com base no conteúdo técnico-científico enviado, conforme diretrizes nacionais e internacionais para prescrição de LDX em pediatria. Material elaborado para educação continuada de profissionais de saúde.

Fonte adicional: Supera Farmacêutica – Material técnico LDX (2024) “O texto desta publicação expressa a opinião dos autores e não reflete necessariamente a opinião do laboratório Supera”. Respeitada a legislação de medicamentos controlados (Portaria SN 177/2023).

Informação regulatória e restrição

Material exclusivo para profissionais de saúde habilitados a prescrever medicamentos controlados (categoria B2 – Lista SN 177). A lisdexanfetamina é um psicoestimulante sujeito a controle especial. A prescrição deve seguir a RDC 58/2014 da ANVISA e o termo de responsabilidade do paciente/responsável. O uso fora das indicações aprovadas em bula não é recomendado. Este guia não substitui a bula oficial nem a decisão clínica individualizada.

Público-alvo: crianças a partir de 6 anos e adolescentes (até 17 anos) com diagnóstico de TDAH conforme DSM-5 ou CID-11. Contraindicado em casos de glaucoma, hipertireoidismo, arritmias graves, história de abuso de substâncias, ou hipersensibilidade a anfetaminas.

Monitoramento obrigatório: pressão arterial, frequência cardíaca, peso, altura, sintomas psiquiátricos (surgimento de tiques, ideação suicida).
Guia de orientação profissional para uso de lisdexanfetamina (LDX) em crianças e adolescentes com TDAH. Atualização baseada em literatura científica e boas práticas clínicas – 2025.
Consulte sempre a bula atualizada e as resoluções do CONTRAN/ANVISA (medicamentos controlados). Uso exclusivo em ambiente de prescrição médica.

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